As constantes “pausas existenciais” do Metro de Lisboa
Há dias em que o Metro de Lisboa parece estar a fazer terapia. “Por motivos técnicos, a circulação encontra-se temporariamente interrompida.” Técnicos de quê? De paciência? Porque a minha, essa, já avariou há muito tempo.
É sempre assim: estamos a meio de uma viagem, o comboio pára entre estações, as luzes piscam como num filme de terror de baixo orçamento, e uma voz robótica anuncia calmamente que “seguiremos dentro de momentos”. Momentos esses que duram o suficiente para reconsiderarmos todas as decisões que nos trouxeram até ali.
Enquanto isso, os passageiros olham uns para os outros com aquela cumplicidade muda de quem partilha um sofrimento coletivo. Um senhor suspira, uma adolescente rebola os olhos, e alguém tenta ver se há rede para avisar que vai chegar atrasado… outra vez.
E quando finalmente voltamos a andar, o comboio arranca com a delicadeza de um trator em pânico, e lá vamos nós, embalados pelo som reconfortante das portas a falhar.
A melhor parte é quando há “perturbações na circulação”. Ah, as famosas perturbações! Já são praticamente um membro da família. Devia haver um cartão de fidelidade: “10 perturbações e ganha um minuto de viagem sem paragens!”
E depois vem o clássico:
“Pedimos desculpa pelo incómodo.”
Não, Metro. Tu não pedes desculpa. Tu gozas. Tu saboreias o meu atraso, o meu desespero, e a minha tentativa de manter a compostura enquanto penso se devia simplesmente viver no cais.
No fundo, o Metro é uma metáfora perfeita para a vida adulta: prometem-te rapidez e eficiência, mas o que recebes são atrasos, falhas técnicas e um locutor calmo a dizer-te para ter paciência.

